Discurso da CT-UP no Dia da Universidade do Porto

Representante da Comissão de Trabalhadores da Universidade do Porto - Joana Cunha - FBAUP

Com a criação da Comissão de Trabalhadores em 2013, a realidade na UP mudou. Não só passou a existir um parceiro representante legal de todos os trabalhadores, sem exceção de categoria ou corpo profissional, com quem a Reitoria reúne obrigatoriamente, como somos cada vez mais solicitados a intervir pelos trabalhadores e pelos diferentes níveis de direcção.

Desde a sua criação, a CT-UP tem ajudado a resolver muitas questões sensíveis de trabalho nas escolas e nos serviços, contribuindo para a redução da entropia e ultrapassagem de diversos problemas. Hoje, somos um parceiro respeitado, fruto de um intenso trabalho voluntário na defesa dos interesses dos trabalhadores, ainda que o resultado das acções não seja sempre visível.

Por isso, para nós, é uma honra participar hoje, neste dia histórico da nossa Universidade, a nossa casa. Somos uns centenários sempre jovens, ainda que nem sempre isso seja perceptível. Cada vez mais temos que ser capazes de mobilizar a nossa massa crítica e de nos concentrarmos naquilo que sabemos tão bem fazer e que nos define enquanto Universidade – ensinar e investigar, mas também prestar serviços à comunidade e contribuir para a divulgação científica junto da sociedade que de nós espera sempre mais, assumindo crescentemente a dimensão social do conhecimento.

A CT-UP tem-se batido firmemente pela melhoria das condições de trabalho na nossa Universidade, pelo respeito fundamental pelo trabalho desenvolvido pelos seus membros, pela diminuição das diferenças que subsistem entre trabalhadores contratados em regime público e em regime privado, nos limites da legislação vigente, designadamente no que toca aos tempos de saída, a idas a consultas, ao gozo de meios-dias.

Mas há ainda muito a fazer. Em nome da equidade, erguemos bem alto o principio de que a trabalho igual deve corresponder não só um salário como tempo de trabalho iguais. O trabalho tem que ser dignificado e a estabilidade laboral deve ser um objectivo tangível, em nome do desenvolvimento harmonioso da Universidade num todo, e não apenas uma mera peça de retórica.

Todos nós, trabalhadores da Universidade do Porto, somos peças fundamentais desta nobre instituição, a roda dentada da máquina a que se orgulham pertencer. A projecção da UP no presente e para o futuro, só pode ser feita com os trabalhadores que a constroem no dia-a-dia. Por isso é crucial valorizar e aumentar as suas qualificações, seja a nível dos docentes, seja dos não docentes. A realidade mostra a ainda insuficiente atenção dada a esta questão, apesar de estar regulamentada legalmente. Há que avaliar o que tem sido feito e a adequação das acções de formação às necessidades da UP. Ter muita oferta, não é necessariamente sinónimo de adequação. E, quando os recursos são limitados, a premência é mais do que evidente.

O rejuvenescimento da UP é, também, uma questão sensível e uma realidade ainda que parcial, abrangendo essencialmente os não-docentes. Sendo este rejuvenescimento um objectivo desejável, importará equacionar a adopção de medidas de carácter social como a criação de jardins-infantis que, para além de constituírem um apoio fundamental às famílias, permitem afirmar a visão social da Universidade que todos queremos.

No passado recente, mediamos o processo que levou à assinatura de um acordo colectivo de entidade empregadora, que foi devolvido pelo Governo. Hoje estamos a trabalhar activamente para que um novo acordo colectivo possa ser negociado e assinado com a Reitoria, integrado na legislação, e que regulamente as relações entre a UP e todos os seus trabalhadores. A premência deste acordo resulta das nossas características únicas no panorama de trabalho nacional, enquanto Universidade, o centro de saber, de cultura e de investigação que pretendemos de excelência.

Hoje, a nossa Universidade está de parabéns e os seus trabalhadores também devem ser aplaudidos, até porque nunca deixaram de vestir a camisola desta centenária instituição, mesmo quando o merecido reconhecimento pelo trabalho que desenvolvem, fica aquém das espectativas.

Terminamos reafirmando a firme disposição da Comissão de Trabalhadores de tudo fazer em defesa da nossa Universidade e de todas e todos que aqui trabalham.

A Comissão de Trabalhadores