Intervenção da Comissão de Trabalhadores nas comemorações do Dia da Universidade do Porto

Assista à intervenção do Professor Bordalo e Sá no dia da Universidade do Porto

«É com particular orgulho que a CT-UP participa nas comemorações dos 104 anos da Nossa Universidade, comissão que continua a ser a única no sistema universitário público nacional. A UP, comparada com outras num raio de 300 km para norte, sul e leste, é muito jovem e, como tal, pode e deve ser irreverente.

A UP somos todos nós, desde o assistente-operacional ao Reitor.

No dia-a-dia aplicamos a força do nosso trabalho, seja ele intelectual ou braçal, construimos a Universidade de acordo com as nossas capacidades, mas com os olhos postos nas necessidades do futuro, sem esquecer o presente.

Quando a cada dia 23 olhamos para a folha de pagamentos no Sigarra, o entusiasmo de quem está a participar nesta construção esmorece, o sorriso desaparece, a vontade de trabalhar diminui. Vem ao de cima a família, as contas, os compromissos fixos.

Face às dificuldades por que todos passamos, a UP não pode esquecer o seu papel social. É imperativo que se adapte às novas realidades, pois não só os estudantes necessitam, hoje, de apoio social. A extinção dos serviços médicos aos trabalhadores e a demora na implementação dos 30 minutos para almoço, acabaram por afectar a vida de centenas de trabalhadores. Para vestirmos a camisola, esta tem que estar connosco.

Juventude é sinónimo de dinamismo e, mesmo quando a UP deixou de ser a maior universidade do país, podemos e devemos continuar a expandir o nosso maior capital: as pessoas. O que perdemos em dimensão podemos fazer renascer em capacidade de ensinar (incluindo de forma electrónica), de investigar e de prestar serviços.

Nos rankings temos que continuar a nos destacar, mesmo quando aos outros são dados diferentes recursos financeiros. Conseguimos, pois, fazer bem mais com menos. Um orgulho.

A CT-UP na sua qualidade de estrutura representativa de todos trabalhadores, tem vindo a pugnar pelo estabelecimento de pontes com a tutela, muito para além das institucionais.

Gostariamos de realçar o trabalho especializado desenvolvido, para já, com algumas Vice e Pro-reitorias, assim como com a Reitoria, neste caso através de reuniões mensais, para além dos contactos com muitos Directores. Nas escolas intervimos a um nível mais fino, tratando de assuntos locais, sem nunca esquecer o todo que é a Universidade.

Mas ouvir não significa, necessariamente concordar, como atesta a posição da CT-UP face ao encerramento de instalações em Dezembro. Fomos consultados mas discordamos.

O desenvolvimento da UP é tarefa prioritária, ainda que contraditória. Se por um lado a Universidade não deve ser uma mera soma de Escolas, por outro há que respeitar a estatutária autonomia de cada uma delas e procurar baixar o nível de conflitualidade institucional.

Concentrar os esforços na frente externa é imperioso.

Na frente interna, limitar a gestão quase apenas ao cumprimento de metas e indicadores, brandindo o cutelo legal de forma cega, conduz inevitavelmente a atropelos e desigualdades, à desilusão de muitos, ao eventual despir da camisola. Por exemplo, um dos assuntos fracturantes ? os SPUP, está ainda longe de resolvido.

Reduzir a universidade pública a uma mera empresa, os trabalhadores a colaboradores e os estudantes a clientes é implodir este templo do conhecimento onde uns procuram o saber e outros, docentes, investigadores e não-docentes, o disponibilizam. Esta dialéctica potencia o progresso, beneficia o país.

Podemos estar na província, como alguns gostam de sublinhar, mas definitivamente, não somos uma universidade regional. Temos que ter arte e engenho para manter e melhorar o nosso posicionamento nos rankings deste mundo, onde outras universidades almejam apenas estar.

Por isso, neste dia de aniversário, nós, os trabalhadores, desejamos de forma entusiástica dar os parabéns à Nossa Universidade.

A Comissão de Trabalhadores da UP»